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Lilas, o disco de estréia do Trio in Uno.

"Devo confessar que sou um pouco cético quando me proponho a ouvir um novo conjunto de música instrumental brasileira. Afinal, o que se pode esperar de realmente novo, de verdadeiramente fresco, em um território tão explorado? E, com efeito, geralmente o que eu encontro é mais do mesmo: apuro técnico em caminhos sonoros já consagrados na música brasileira. O que é ótimo, mas não é exatamente fresco.


Por isso é um prazer quando me deparo com um CD como “Lilas”, o disco de estréia do Trio in Uno.


A formação com violoncelo, violão de sete cordas e sax soprano é algo que eu nunca tinha visto antes. Esse ineditismo é uma condição que obriga o trio a um novo tipo de inventividade nos arranjos e nas tramas sobre os temas. O resultado é um disco com o frescor dessa descoberta. Quase é possível “ouvir” a alegria e camaradagem deste processo criativo como se fosse um quarto instrumento no disco.


O repertório é uma homenagem única a mestres da nossa música. Do choro-maxixe de Radamés Gnatalli (que por sua vez homenageia Chiquinha Gonzaga no quarto movimento da Suíte Retratos) ao frevo ligeiro de Marco Pereira, que abre o disco. As exceções são duas peças de Piazzolla e a bela composição de Pablo Schinke, violoncelista do trio.


Lilas é um registro de uma sonoridade singular, vigorosa e refinada, que nos lembra do infinito potencial que a música brasileira tem em se renovar e da sensibilidade destes três ótimos instrumentistas. Lilas é uma ótima notícia para os amantes da boa música brasileira."

 

Felipe Zylbersztajn, jornalista

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